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Americano de 28 anos sofre AVC depois de estalar o pescoço | VEJA.com

Josh Hader

Hader está se recuperando bem e não perdeu nenhuma habilidade cognitiva ou de fala. Ele também já consegue ficar em pé e andar graças a fisioterapia. Ainda assim, o americano tem problemas de visão e de equilíbrio, dificuldade para controlar o braço esquerdo e a sensibilidade do braço e perna direitos está comprometida. (Facebook/Reprodução)

Quem nunca sentiu uma tensão no pescoço e decidiu fazer uma massagem ou estalar a região para aliviar o desconforto? Essa atitude colocou a vida do americano Josh Hader em risco. O homem, de 28 anos, estava sofrendo com dores nos pescoço há duas semanas e, acostumado a recorrer ao alongamento, ele rolou o pescoço para a direita e ouviu um estalo – comum nesse tipo de ação. Entretanto, no caso de Hader, foi o início de um acidente vascular cerebral (AVC). “Usei minha mão para aplicar um pouco mais de pressão e ouvi um ‘pop’. Então tudo do meu lado esquerdo começou a ficar dormente”, contou ele à NBC News. 

Diante do acontecimento, Hader, que é ex-policial, desconfiou que pudesse estar sofrendo um AVC. Após chamar a esposa,  ele se olhou no espelho em busca de sinais faciais que indicassem o problema, como perda da força muscular do rosto, que pode deixar a boca torta. Como não viu nada, o homem concluiu que deveria ter apenas pressionado um nervo e foi atrás de gelo para colocar no pescoço. Mas seus planos foram interrompidos no meio do caminho. “Enquanto eu ia para a cozinha, eu percebi que estava andando em um ângulo de cerca de 45 graus. Eu não conseguia andar em linha reta. Estava quase andando totalmente para a esquerda”, revelou.

Ficou claro que algo estava errado. E sua condição piorou rapidamente. Ao chegar à emergência do hospital, menos de uma hora depois do ‘estalo’, Hader não conseguia mais andar e precisou de uma cadeira de rodas para se locomover. Após realizar uma tomografia, a equipe médica constatou que ele havia de fato sofrido um acidente vascular cerebral. Em entrevista ao canal americano ABC, Vance McCollom, médico que tratou Hader, explicou que ele havia lesionado uma das principais artérias vertebrais do pescoço, cuja função é levar sangue direto para o cérebro. Este tipo de lesão, também chamada de dissecção, provoca AVC mesmo em indivíduos jovens (entre 20 e 30 anos). 

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“[Isso] não tem nada a ver com a saúde da pessoa. Embora seja raro, o rompimento de artérias do pescoço causado por alongamento não é algo inédito”, comentou Kazuma Nakagawa, do Queen’s Medical Center, nos Estados Unidos, ao The Washington Post. Segundo os médicos de Hader, o alongamento do pescoço foi a causa direta de seu AVC isquêmico

O AVC

Assim que foi diagnosticado, a equipe administrou uma dose de ativador de plasminogênio tecidual (t-PA) – medicação utilizada para dissolver coágulos sanguíneos. “Lembro-me de ouvir um médico no pronto-socorro gritando para a equipe: ‘Temos 12 minutos para administrar isso’. Foi quando eu percebi a gravidade do que estava acontecendo”, contou Hader. Assim que recebeu o medicamento, ele foi transferido para outro hospital. Lá, o americano foi colocado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde ficou por quatro dias. 

O diagnóstico de Hader foi uma completa surpresa para a esposa, Rebecca. “Eu estava apavorada. Ele é jovem demais. Eu pensei que tinha que ser outra coisa. Foi muito estranho. Durante todo o caminho para o hospital eu tentei me convencer de que não era um AVC”, disse ela ao The Washington Post. 

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Recuperação

Apesar do susto, Hader está se recuperando bem e não perdeu nenhuma habilidade cognitiva ou de fala. Ele também já consegue ficar em pé e andar graças à fisioterapia. Ainda assim, o americano tem problemas de visão e de equilíbrio, dificuldade para controlar o braço esquerdo e a sensibilidade do braço e perna direitos está comprometida. “Eles [AVC’s isquêmicos] são realmente muito mortais. As artérias vertebrais no pescoço fornecem sangue ao tronco cerebral, que é o coração e a alma do cérebro. Sem isso, o cérebro simplesmente não funciona”, explicou Nakagawa. 

Agora, Hader está tentando largar o hábito de estalar o pescoço – que já havia sido criticado pela esposa diversas vezes. “A meio caminho de alongar meu pescoço, eu digo: ‘Não, não. Não faça isso’”, revelou.

De acordo com especialistas, ainda não é possível determinar porque as artérias de algumas pessoas rompem por causa disso, enquanto outras nunca sofreram nada. A hipótese mais aceita está relacionada a integridade da parede dos vasos sanguíneos, que diferem de pessoa para pessoa. “Normalmente, 99,9% do tempo você estala o pescoço e fica tudo bem”, ressaltou Nakagawa. 

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